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TV como você nunca viu antes

*Alexandre Borin


Até pouco tempo atrás, “na telinha” era um jeito carinhoso de se dizer “na TV”. Hoje, “na telinha” poderia significar em qualquer uma das chamadas “três telas”, onde, ao lado da antiga telinha, hoje evoluída com o plasma e o cristal líquido, há outras duas: a tela do computador e a do celular. Como a TV está chegando a estas “três telas?”Quais serviços devem revolucionar a maneira como os conteúdos em vídeo chegam até nós?

A evolução da tão popular TV no Brasil envolve três questões principais: convergência, escala e novos serviços.

Em convergência, as operadoras móveis, fixas, de TV a cabo e as de acesso à internet banda larga estão ampliando e convergindo suas ofertas, utilizando tecnologias novas como Voz sobre IP, acesso banda larga sem fio (HSDPA) e o IP Multimedia Subsystem (IMS). Após a explosão de audiência em sites da internet, como o YouTube e o GoFish, que oferecem centenas de milhares de vídeos colocados à disposição pelos próprios usuários, as operadoras e os grandes grupos de mídia voltam sua atenção à TV Móvel e à IPTV (TV IP de linha fixa), pelos quais o usuário tem o poder de decidir o que quer assistir  e quando.

Operadoras de telefonia, que antes concorriam com empresas de TV a Cabo para prover acesso de banda larga à internet, hoje estão se associando e se consolidando com as mesmas para terem uma oferta convergente quadruple play (Telefonia, TV, Internet e Celular). Exemplos de serviços desta oferta convergente para o usuário final, são a TV Móvel, que une o Celular com a TV e a IPTV, que junta a internet banda larga à TV.

Com a IPTV, que é muito superior à TV tradicional transmitida pela Internet, o usuário tem uma experiência mais rica, personalizada e interativa, na qual uma grande diversidade de conteúdos está disponível para seleção imediata, além da tradicional TV ao vivo, que ganha novas facilidades de pausa, replay e gravação. Tudo disponível em seu controle remoto.

Com a TV Móvel, a mesma convergência e facilidades da IPTV ganham a conveniência extra da mobilidade. A TV se torna então interativa, personalizada e disponível na palma da mão.

Vamos mais longe. Feche os olhos e imagine quando chegará o dia em que você poderá assistir aquele show da TV a cabo (1ª tela) que você gravou no computador da sua casa (2ª tela), por meio do seu celular (3ª tela)? Ok, você já pode parar de imaginar, pois isto já é possível há cerca de dois anos. Palavra de usuário: há programas gratuitos (como o Orb, www.orb.com) que fazem isto e muito mais, unificando TV, conteúdos do seu computador (música, fotos e vídeo, até mesmo a imagem que sua webcam conseguir captar ao vivo) e o seu celular, por meio de redes GSM EDGE ou CDMA 1xRTT, disponíveis em grande parte das cidades médias e grandes do Brasil.


Recentemente, uma operadora ofereceu no Reino Unido pacotes incentivando o uso deste tipo de acesso remoto ao conteúdo do próprio usuário.

Com a pitaria crescendo e a propaganda na televisão enfrentando retornos menores, devido à dispersão da audiência nos centenas de canais e mídias disponíveis (long-tail), a indústria do entretenimento está em busca de novas formas de distribuição. Com a TV móvel e a IPTV, a TV ganha novamente foco e alternativas para novas receitas, por meio de programação personalizada, sob demanda, com interatividade e anúncios personalizados (sim, anúncios desenhados para coincidir com os seus interesses).

No âmbito da escala, encerrado o debate sobre padrões para a TV Digital no Brasil, logo também será possível assistir aos canais abertos de TV em celulares, à medida que houver escala e estes forem sendo equipados com receptores específicos, que não dependem das redes das operadoras celulares. Sem esperar por este momento, as operadoras celulares já dão seus passos em outra direção e oferecem a milhões de terminais em suas redes a TV Móvel em sua versão unicast (acesso individual), sem necessidade de licença especial para isto.

Com a evolução para a 3G das redes celulares no Brasil e terminais cada vez mais baratos, o HSPA (High-Speed Package Access, que se trata da versão móvel do acesso banda larga fixo – ADSL – que conhecemos hoje) aumenta ainda mais a qualidade da TV Móvel e reduz enormemente os custos para as operadoras. Outra funcionalidade é o broadcasting por meio da rede celular, no qual os programas de maior audiência são transmitidos a vários usuários, simultaneamente, numa mesma área. A versão broadcast da TV Móvel é chamada de MBMS (Multimedia Broadcast and Multicast Services) e pode ser muito interessante para canais de grande audiência, ou mesmo para grandes eventos, como jogos de futebol ou shows musicais. Trata-se de um complemento para o serviço de TV Móvel sob demanda e personalizado, possibilitado pela transmissão unicast.

Assim, a TV no celular tanto poderá ser captada pelos receptores de TV embutidos nos aparelhos quando estes ganharem escala, quanto poderá ser mais um conteúdo sob demanda, dentre os diversos oferecidos pela operadora móvel por meio de sua rede atual ou evoluída para a 3G.

Em relação aos novos serviços, a TV Móvel deve oferecer uma mistura de programação em grade e de “TV sob demanda”, na qual se podem assistir notícias ou a série favorita. Além disso, deve haver conteúdo armazenado de várias fontes (o chamado “sideloading”), como amigos, a internet e serviços “push TV”, para que o consumidor possa assinar eventos como gols de partidas de futebol, que são enviados como clipes de vídeo para os telefones, com recepção praticamente instantânea.

Grande parte do sucesso da TV móvel e da IPTV depende da busca das operadoras por formas claras e flexíveis de cobrar por esses serviços. Inevitavelmente, as operadoras de telecomunicações terão que trabalhar cada vez mais próximas dos provedores de conteúdo, das empresas de produção cinematográfica e dos canais de notícias, a fim de construir uma oferta atraente de TV.

Modelos tradicionais de licenciamento por país, usado para a TV hoje, não devem ser adequados como forma de partilhar receitas entre operadoras e provedores de conteúdo. Esse negócio deve requerer novas competências nas operadoras e nos provedores de conteúdo.

Tudo isto é equacionável para as partes envolvidas, e por isto, a TV Móvel já é uma realidade, com 40 operadoras no mundo inteiro oferecendo serviços por meio de suas redes. A francesa Orange, por exemplo, dispõe de serviços de TV Móvel com 52 canais a 350 mil assinantes, fora todo o conteúdo sob demanda. Diversas outras operadoras oferecem TV Móvel em seus pacotes, enquanto outras já oferecem acesso ilimitado de TV por €1 por dia. Usuários não querem surpresas quando o assunto é custo e, por isto, previsibilidade é fator-chave.

Certamente, a evolução não pára por aí. Temos facilidade de nos acostumar rapidamente com o que é bom. A internet trouxe a interatividade, rompeu fronteiras e nós usuários nos acostumamos com isto. A banda larga trouxe acesso a conteúdos muito mais ricos, tornou tudo on-line, instantâneo, e nos acostumamos a isto. Muito em breve, o IMS (IP Multimedia Subsystem) possibilitará às operadoras ofertar serviços multimídia ainda mais convergentes, unificando as suas linhas fixas, sua linha celular, seu fax, e-mail, seus comunicadores instantâneos e muito mais. Alguma dúvida de que vamos nos acostumar rapidamente com isto?

*Alexandre Borin é diretor no Brasil do Ericsson Mobility World

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